Quem Foi Edgard Leuenroth

Edgard Frederico Leuenroth (1881-1968) foi um célebre militante anarquista atuando na imprensa operária no século XX, nasceu em Mogi Mirim-SP, filho de Waldemar Eugênio Leuenroth e Amélia de Oliveira Brito e mudou-se para São Paulo aos 5 anos de idade. Trabalhou desde os 10 anos de idade e em 1897 ingressou no jornal O Commercio de São Paulo onde exerceu por 12 anos a atividade de tipógrafo. Em 1897, com material de uma tipografia que comprara, funda seu primeiro periódico, o jornal crítico e literário O Boi, publicado até 1898, que daria origem à Folha do Braz, órgão defensor dos direitos dos moradores daquele bairro.

Edgard Leuenroth trabalhou até o fim da vida com jornalismo, mas mais do que uma profissão, para ele o jornalismo era um meio de militância política e instrumento de organização, propaganda e educação da classe trabalhadora. Dentre os jornais que criou e editou são notórios os títulos O Trabalhador Gráfico, Folha do Povo, A Luta Proletária, A Lanterna, A Guerra Social, Spartacus, A Plebe entre outros.

Em 1903 fundou o Centro Tipográfico de São Paulo e no ano seguinte, transformou-o na União dos Trabalhadores Gráficos. Foi um dos dirigentes da greve geral de 1917, pela qual foi preso, e porta voz do Comitê de Defesa Proletária, órgão da greve. Participou dos primeiros congressos operários (1906, 1913 e 1920) e da fundação do Partido Comunista do Rio de Janeiro, grupo de tendência libertária que reuniu socialistas e anarcosindicalistas, em 9 de março de 1919.

Entre 1917 e 1920, o movimento anarquista encontrava-se em pleno auge e Edgard Leuenroth, um de seus principais líderes, participava dos movimentos grevistas através da imprensa e na rua com discursos inflamados e liderando protestos. Nesse período colaborou ainda no jornal A Voz do Povo, extinto no final de 1920 quando a imprensa operária passa a ser perseguida pelo Estado.

Ajudou a criar o Centro de Cultura Social, vinculado ao movimento anarquista, e, impossibilitado de manter o Centro aberto devido à situação política do país, concentrou seus esforços no sindicalismo. Teve participação intensa na fundação da Associação Paulista de Imprensa – API (1933) e foi um dos diretores provisórios do Sindicato dos Profissionais da Imprensa do Rio de Janeiro. Na década de 1940 participou do Primeiro Congresso dos Jornalistas de São Paulo e fundou a “Nossa Chácara”, uma tentativa de vivência libertária, em São Paulo, cuja existência ultrapassou duas décadas. Na década de 1950 participou de diversas atividades como o Congresso Anarquista de São Paulo (1948), o Congresso Anarquista Nacional - RJ (1953), o Quinto Congresso Nacional de Jornalistas – Curitiba-PR (1953), o Primeiro Centenário da Imprensa de Campinas-SP (1958), o Encontro Libertário-RJ (1958). Em 1963 publica Anarquismo – Roteiro da Libertação Social. Morreu em 1968, após breve enfermidade.

Durante toda sua vida colecionou documentos da imprensa operária e anarquismo como parte de um projeto de propaganda e educação dos trabalhadores para a revolução, provocando, incentivando e construindo uma memória dos trabalhadores brasileiros. Após sua morte sua documentação foi adquirida pela Unicamp em 1974, dando origem ao Arquivo Edgard Leuenroth. Dentre os documentos de Edgard estão mais de 1030 títulos de periódicos e cerca de 3.500 livros.

Saiba mais sobre Edgard Leuenroth na exposição virtual: E-album Edgard Leuenroth